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09/02/2010

Estamos preparados para não crescer?



Telma Cunha*


Todas as análises que lemos ou fazemos sobre o desempenho de empresas levam em consideração o volume de crescimento que ela apresenta ano a ano.

Crescimento que pode ser avaliado por aumento de receita, dos colaboradores, do volume produzido ou outros indicadores dependendo do setor, mas sempre crescimento.

Será que sabemos como enfrentar e acreditar que a empresa está bem, se ela não crescer ou diminuir em alguns períodos?

Crescimento ilimitado não é infinito, a natureza nos mostra isto diariamente, apesar de nós termos ampliado estes limites naturais, mas há um ponto de equilíbrio, que se ultrapassado, pode trazer problemas e não benefícios.

Hoje temos total clareza que tudo que fazemos tem conseqüências, sabemos que a era do ganha sempre acabou, mas a dificuldade de aceitar estas mudanças é um grande paradigma para nós.

Construir metas de crescimento, ano após ano, é nosso sonho, mas a realidade nos mostra que devemos e precisamos pensar diferente, trocar o curto prazo pelo médio e longo prazo, trocar o eu pelo nós.

Algumas empresas já estão praticando esta mudança de foco, mas como seres que constroem empresas, precisamos mudar nossa forma de planejar, analisar e de premiar.

Precisamos também qualificar novas idéias, novas formas de negociar e ter outros indicadores que não sejam somente financeiros.

Hoje se fala muito em equilíbrio da vida pessoal. Precisamos levar este mesmo conceito para uma vida coorporativa sustentável - que equilibra os fatores econômico, social e ambiental - e, principalmente aceitar os limites que este equilíbrio impõe.

Não podemos comer e beber tudo o que desejamos, sem limites, se o fizermos a obesidade será o problema que causaremos ao nosso organismo. As empresas também não podem crescer sempre, se o fizerem, sem planos adequados, os aspectos social e ambiental serão a obesidade que elas enfrentarão.

A crise atual é a obesidade que criamos. Agora precisamos de força de vontade, limites e um novo planejamento para promover mudanças. E como a obesidade física, na há remédio milagroso.

Telma Cunha é estatística pela Unicamp, especialização em ciência da computação e pós-graduada em administração de empresas.





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